domingo, 24 de maio de 2009

There's something here...



Deveria ser quase nove da noite quando me despi e entrei no box, num tamanho desânimo. Por dez minutos fiquei de olhos fechados, deixando o quente jato d'água percolar pelo meu corpo, deixando-o mais cansado. Durante esses míseros dez minutos consegui ficar longe de tudo, e qualquer coisa. Meu ouvidos não captavam nem um som se quer, meu cérebro se encontrava 'ausente', e senti o vazio, o antigo vazio que eu sentia. Mechas de meu cabelo colaram em meu rosto, e apenas isso me fez voltar à mim, à 'vida'. Saí do banheiro com um roupão aberto em meu corpo, possibilitando as gotas do cabelo deslizar pelo meu peitoral, e encharcar o chão ao que chegava aos pés. Vesti-me com quaisquer peças, peças as quais eu, involuntariamente, combinei para que as vestisse. Calcei meu tênis, e saí.
Não demorou muito para que eu chegasse ao lugar mais maravilhoso, ao meu paraíso, minha fonte de energia, meu refúgio... Eu estava lá, com os pés à areia, os cabelos dominados pelo vento brisado do mar, e meu corpo leve, leve como se eu mergulhasse em meio ao oceano. Eu havia encontrado novamente a paz, mas com um sentimento de solidão. Faltava-o comigo, ali, compartilhando o tamanho prazer da temporária felicidade plena, o verdadeiro Brian.
Ao meio da escuridão, eu me pus sentado, sentindo o gelo da areia molhada em meus pés. Eu olhava ao horizonte negro, sem definição, e sentia o descarregar de todo sentimento ruim que me contorcia por dentro. As ondas que vinham o pegavam, e ao que voltava, leva-o para longe de mim. Senti-me realizado, puro, mas ele não estava ali comigo. Fechei meus olhos, e o imaginei ao meu lado. Dentro de minha mente, eu estava abraçando-o, sentindo o gostoso aroma de seu cabelo, e a maciez de sua mão na minha. Ali, naquela hora, eu estava completo. E nesse mesmo instante, foi quando eu tive certeza que é ele, é ele quem me completa, quem eu amo, quem eu quero para todo o sempre. Para sempre.

Brian.



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Talvez haja otimismo num final.

Hoje talvez tenha sido o fim de uma história, mas também o começo de outra, e bem diferente. Queria não pensar desse jeito, mas isso ajuda me conformar com o que tem acontecido, e onde tudo acabou, em quais circunstâncias e seus argumentos. Não digo que estou mal para caralho, ou que estou muito bem com isso, porque eu não sei o que estou sentindo. A única coisa que me magoa, é ao pensar sobre o que poderíamos ter vivido juntos, o quanto poderia me proporcionar... Mas eu esqueci de viver o 'hoje', e perdi minha segunda chance de fazer o certo. x


Tenho sensação do porquê de tudo ter mudado assim. Lembro-me bem de como eu era antes de você chegar, e como eu mesmo já disse, você me fez outra pessoa. Uma pessoa melhor. Não culpo-o por nada, porque você me traz os mais perfeitos sentimentos, as mais lindas palavras, os toques mais precisos. E eu não quero perder isso, como eu já perdi muitas coisas.
Não sei se ao lhe avisar sobre o meu 'eu' foi a melhor coisa a ser feita. Talvez bom por deixá-lo sem surpresas se algo vier a acontecer, mas tornou o nosso possível 'nós' um pouco menos provável. Deixei-lhe com medo do que eu venha a fazer, a falar, e você a descobrir. Eu tenho certeza.
Espero que hoje tenha sido apenas um dia para reflexões, e nada mais. Espero que você não tenha mudado de idéia, e sim esclarecido algumas pendências sobre mim. E espero, também, que você continue me amando, porque a cada segundo que passa, eu o sinto mais e mais vivo dentro de mim.

Brian Haner.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Longe de qualquer coisa, menos você.



'Como uma vida pode mudar em apenas uma semana?', essa é a pergunta que faz minha mente se contorcer atrás de alguma resposta descente. Tenho acordado madrugadas, andando descalço, com a calça do pijama larga serpenteando ao longo do corredor, com certas preocupações. Coço minha nuca, e nada encontro. Fecho meus olhos, e a única coisa que vem, é imagem do causador disso tudo. Minha vida virou de cabeça para baixo, mas não vejo como algo ruim, e sim incerto. Sinto vontade de não rever tanto meus princípios, e fazer coisas por impulso, mas isso já me trouxe muitos prejuízos. Só que constatei que, se eu pensar antes de agir, faz com que haja a hesitação e a maior probabilidade de desistir, e se eu fizer sem ao menos deixar meu cérebro processar minhas vontades que o driblam, poderia haver a decepção, a rejeição. Então, a vida pára, não consegue seguir, e eu me torno o problema para meu próprio humor, ou possível felicidade (Momentânea, como na maioria das vezes.).
Eu queria estar certo do que se passa dentro de mim. São tantas incertezas, que chego ao limite de me perguntar quem eu realmente sou. Eu odeio, odeio definitivamente meu caráter. Este que foi moldado em mim, além de me proporcionar muitos momentos bons, a maioria foi de desespero onde a indecisão reina e me faz desmoronar em perguntas. Mais e mais perguntas. E eu tenho uma fraqueza: a carne. É ela que me proporciona o prazer mais esperado, a insanidade entre gemidos, o suor desesperado, o tremor dos membros contraídos... E nela me perco, me abasteço, e me encontro. Há sentido no que digo? Não, ou talvez, mas um 'sim' não existe como resposta.
Eu queria saber me satisfazer num corpo só, me dedicar à apenas um alguém, e viver uma vida normal ao lado de quem eu viria a escolher. Só que eu não aprendi ainda essa lição da vida, e acho que nem os tombos que ela deu/dá/dará em mim fará com que isso mude.
Meu coração está trepidando, oscilando, e desejando. Meu corpo lateja, lateja sempre por mais e por outros. Eu não sei, eu não sei. E é essa frase que me define, definitivamente.
Que seja. Será possível eu estar amando de novo? Mais uma vez, tão repentinamente e num prazo muito curto de tempo? Talvez. E isso está me fazendo mal. Uma vez que eu me denominei a decepção, não foi da boca para fora.

Brian.